A Quaresma inicia-se na Quarta Feira de Cinzas e prolonga-se por 40 dias até Quarta Feira Santa. Na Quinta Feira Santa, com a Ceia do Senhor, entramos no Tríduo Pascal em que celebramos a morte e a ressureição de Jesus.
É um tempo propício para os cristãos renovarem a sua adesão a Cristo, seguindo um caminho de profunda e progressiva reflexão. Como individualmente e em comunidade, preparamo-nos para a celebração da Páscoa do Senhor.
Nas celebrações deixamos para trás o Tempo Comum e introduzem-se algumas alterações:
- A cor utilizada é a roxa;
- No altar não se colocam flores;
- Não se canta o Glória nem o Aleluia que se retoma apenas após a Ressureição de Jesus.
Como viver a Quaresma?
Todos os cristãos
deveriam participar ativamente na sua comunidade para viver
este tempo com especial intensidade. Infelizmente para muitos é mais um periodo da Igreja que não diz nada, para outros a correria do dia a dia "não deixa tempo" para participar.
Viver a Quaresma começa por conhecer a sua razão de ser e aproveitar este tempo de salvação para viver com alegria a festa da páscoa.
Símbolos da Quaresma
Tradicionalmente, ao tempo da Quaresma associamos as cinzas, o deserto, os quarenta días e o jejum. Através destes símbolos preparamos o caminho que nos leva até à Páscoa da Ressureição.
As cinzas
"Deus formou o homem com o pó da terra" (Gen 2,7)
" tu és pó e ao pó voltarás. " (Gen3,19)
Este símbolo já estava presente logo no início da Biblia.
Representa
a consciência do nada que é a criatura face ao Criador:
"Abraão prosseguiu: "Pois que me atrevi a falar ao meu Senhor, eu que sou apenas cinza e pó." (Gn 18,27).
Nos primeiros tempos a imposição das cinzas simbolizava o caminho dos penitentes (os pecadores que tinham rompido a comunhão eclesial) que queriam receber a reconciliação no final da Quaresma. Faziam penitência, vestiam o hábito penitencial e impunham as cinzas em si próprios, apresentando-se assim perante a comunidade, expressavam a sua conversão voltando assim à comunidade cristã.
Este manifestação em grupo foi-se perdendo no entanto continua a ser um tempo de rconciliação com Deus e renovação do nosso batismo na Vigilia Pascal.
E o ato imposição das cinzas manteve-se, todas as Quartas Feiras de Cinzas os cristão recebem as cinzas na face ou na cabeça com o objetivo de se reconhecerem como pecadores e dispostos a iniciar um caminho de conversão quaresmal.
E o ato imposição das cinzas manteve-se, todas as Quartas Feiras de Cinzas os cristão recebem as cinzas na face ou na cabeça com o objetivo de se reconhecerem como pecadores e dispostos a iniciar um caminho de conversão quaresmal.
Após as leituras e homilía, pela Palavra de Deus, somos convidados à conversão.
O deserto é um espaço árido, sem água e solitário. Mas é esse lugar concreto que a Biblía apresenta também como local de união com Deus.
Foi no deserto (na montanha de Sinai) que Moisés passou 40 dias sem comer nem beber para receber a lei de Deus(Ex 24, 12-18; 34).
Elías vive a dureza do deserto durante 40 dias e 40 noites reconfortado com a comida que lhe trouxe um anjo do Senhor (1 Re 19,3-8).
São homens marcados pela dureza do deserto mas também pela visão de Deus no final do seu caminhar.
São homens marcados pela dureza do deserto mas também pela visão de Deus no final do seu caminhar.
O deserto é o espaço concreto da união com Deus por isso também Oseias o propõe como o lugar propício para interiorizar a Sua mensagem (Os 2, 16-17):
16 É assim que a vou seduzir: ao deserto a conduzirei, para lhe falar ao coração.
17 Dar-lhe-ei então as suas vinhas e o Vale de Acor será como porta de esperança. Aí, ela responderá como no tempo da sua juventude, como nos dias em que subiu da terra do Egipto.
17 Dar-lhe-ei então as suas vinhas e o Vale de Acor será como porta de esperança. Aí, ela responderá como no tempo da sua juventude, como nos dias em que subiu da terra do Egipto.
Também Cristo viveu 40 dias no deserto, experimentou a tentação, viveu o encontro e diálogo íntimo com o Pai e preparou-se para o seu ministério público.
Se o "deserto" é um periodo de sofrimento também pode ser (e é) purificador se nos abrirmos ao Amor de Deus, ao diálogo com o Pai através da oração.
Por vezes fugimos destes espaços de silêncio e solidão porque temos medo de nos encontrar com o nosso eu e com Deus e descobrir o quanto estamos longe do Seu projeto. Por isso, a experiência de deserto requer coragem, humildade e vontade de recomeçar.
Os 40 dias
O número 40 é referido várias vezes na Bíblia:
- os 40 dias que Moisés e Elías passaram no deserto;
- os 40 anos que o povo eleito passou no deserto até chegar à terra prometida;
- os 40 dias que Jesus passou no deserto antes de iniciar a sua missão;
- os 40 dias da Ascensão.
Assim, os 40 dias da Quaresma fazem memória destes momentos. Mas na relação com o Pai o tempo e o espaço são fundamentais e se o "deserto" (silêncio, ausência de distrações, etc.) é o local adequado para o encontro a dois, os 40 dias da Quaresma é o tempo propício e oportuno para a oração e conversão.
O jejum
Todo aqueles que se retiram para o deserto experimentam o jejum.
Os profetas Joel e Isaías falam-nos no verdadeiro sentido desta antiga prática penitencial:
"...voltem a Mim de todo o coração, con jejuns,lágrimas e gemidos. Rasgai os vossos corações e não as vossas vestes e convertam-se ao Senhor, vosso Deus."(Joel 2, 12-18)
"O jejum que me agrada é este: libertar os que foram presos injustamente, livrá-los do jugo que levam às costas, pôr em liberdade os oprimidos, quebrar toda a espécie de opressão, repartir o teu pão com os esfomeados, dar abrigo aos infelizes sem casa, atender e vestir os nus e não desprezar o teu irmão. Então, a tua luz surgirá como a aurora, e as tuas feridas não tardarão a cicatrizar-se. A tua justiça irá à tua frente, e a glória do Senhor atrás de ti. Então invocarás o Senhor e Ele te atenderá, pedirás auxílio e te dirá: Aqui estou!"
(Isaías 58, 6-9)
O jejum de comida deu também lugar ao jejum como símbolo e expressão de uma renuncia a tudo o que nos impede de realizar o projeto de Deus.
O jejum convidando-nos à solidariedade patr com os que efetivamente passam fome, com os que são alvo de injustiças, de qualquer tipo de opressão e exploração.
Precisamos de descobrir os outros jejuns...tais como não falar mal dos outros, evitar gastos desnecessários, entregar o nosso tempo para ajudar e servir os outros....os outros jejuns que nos ajudam a amar a Deus e ao próximo.
Ver também Quaresma?, o que é isso?


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