segunda-feira, 17 de março de 2014

Quaresma - Perdão e misericórdia

No passado dia 16 de Março pais e catequistas da catequese do Vimeiro reuniram-se para mais um momento em comunidade. Esteve presente o P. Eduardo (o nosso prior) que nos falou sobre importância da catequese e sobre o tempo litúrgico que estamos a viver : Quaresma.
 
Como linha condutora seguimos as leituras Lc 15,11-32, Jo 8, 1-11 e o cântico  "Peço uma oportunidade".
 
Após um momento de reflexão cada um escreveu num cartão algo que gostaria de melhorar em si durante este período e colocou na cruz, recebendo em troca uma pedra. Este ato de colocação na cruz simbolizava o seguinte:
  • Deus recebe-nos e ama-nos tal qual somos mesmo quando nos aproximamos com os nossos defeitos;
  • Amar com Deus ama pode não ser fácil mas não estamos sozinhos , Jesus está connosco e ajuda-nos a suportar as dificuldades
  • Jesus morreu na cruz por nós, pela salvação de cada e hoje continua a aceitar a sua cruz todas com todas as nossas dificuldades; maus atos; ausências; cobardias...;
  • A pedra simbolizava não a critica mas o perdão de Deus, para que cada um em sua casa quando olhasse para ela recordasse que Jesus ama, perdoa e convida-nos a perdoar (como na passagem da mulher adúltera).


 
A coordenadora da catequese fez uma breve apresentação sobre "Catequese"  e por fim as crianças vieram animar com algumas cantigas.
 
Durante este encontro as crianças tiveram também o seu momento com um teatro de fantoches e um filme de desenhos animados sobre Jesus, muita música e alegria.
 
Ficam algumas fotos:

 
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Passar da tristeza à alegria

DOIS CORAÇÕES A CAMINHO DA PÁSCOA I

 




Um coração passeava, pulando de alegria. Cantarolava as suas músicas preferidas enquanto se maravilhava com tudo o que estava à sua volta!!!

Entre um pulo e outro, viu um seu amigo, outro coração, que caminhava muito lentamente, olhando para o chão!



Olá, olá amigo coração! Que bom encontrar-te aqui! Como estás? – perguntou o coração alegre, transbordando de alegria.

 Ah… olá! Bem!... – disse o coração com um tom de voz muito baixinho e nada efusivo!

 Bem??? – questionou o coração alegre, nada convencido com a resposta do amigo – Que tens? Perdeste alguma coisa? É por isso que estás a andar devagarinho e a olhar para o chão?

 Não! – respondeu o coração, surpreendido com a pergunta! - Nem sei porque estou a olhar para o chão!

 Ah! – Exclamou o coração alegre, também ele surpreendido – pensava que tinhas perdido alguma coisa!

 Hum! – exclamou o coração triste, após uns breves momentos de silêncio. Pensando melhor – continuou – acho que perdi uma coisa! Acho que perdi a alegria… e, por isso, estou triste!

 Se a perdeste, vamos já procurá-la!!! – sugeriu o coração alegre com muito entusiasmo e carinho pelo seu amigo.

 Acho que não a vamos encontrar! – exclamou o coração triste, sem esperança alguma.

 Claro que vamos! – exclamou o coração alegre cheio de confiança. Só temos que procurar!

 Se procurarmos, encontramos?

 Sim! Eu encontrei


    Pois, bem vejo! Estás tão alegre, tão feliz! – exclamou o coração fixando o olhar no seu amigo e acrescentando
 
   – Não sei porque estou triste, mas sei que não quero estar triste! Também eu quero sorrir como tu. Quero sorrir contigo! Qual é o teu segredo?

 Segredo? – exclamou surpreendido o coração alegre – Não é nenhum segredo!

 Se não é segredo, porque é que eu não sei?

 Não sei! – respondeu, também intrigado o coração alegre! – mas do que depender de mim vais ficar a saber!

 Por onde começamos a procurar? – perguntou o coração com vontade de saber.

 Hum! – murmurava o coração enquanto pensava. Mas eis que, dando um pulo, exclamou efusivamente – já sei! – Então, tirou da sua mochila um livro e, sentando-se, abriu-o.

 Um livro? Um livro com pistas?

 Sim! Vamos procurar como passar da tristeza para a alegria!

 Que livro é esse?

 A Bíblia! E vamos começar com a ajuda do Paulo, um amigo de Jesus!

 Amigos que nos vão ajudar a fazer essa passagem… que bom!. Já não me sinto tão sozinho!

 Paulo escreveu uma carta sobre o Amor!

O Amor? – interrompeu o coração – Pensei que ele nos fosse falar da alegria! Será que a pista do Amor nos leva à alegria? Estou mesmo curioso! – exclamou o coração, sentando-se prontamente, também ele, para escutar.
 
O amor é paciente e bom.

O amor não é invejoso.

O amor não é orgulhoso.

O amor não é egoísta.

O amor não é violento.

O amor não guarda rancor.

O amor não se alegra com o mal.

Alegra-se com o que é bom e verdadeiro.

O amor não perde a coragem.

O amor dura para sempre.

 A alegria vem do amor! Será que se amar encontro a alegria? – exclamou curioso o coração, após escutar as palavras de Paulo.

 Que tal seguirmos as pistas de Paulo? Estou certo que vamos descobrir coisas surpreendentes sobre o que é amor e sobre o que não é amor…

 Vamos descobrir o que faz o coração ficar triste e o que faz o coração ficar alegre?

 Que excelente ideia! Vamos a isso!


Proposta para a Quaresma do site Catequese.net
 

Como Rezar

Etapas na Oração com a Palavra
  • Escolher um espaço, uma postura corporal e outras condições exteriores que ajudem à oração
  • Criar um silêncio exterior: acalmar tudo o que está dentro de mim
  • Tornar Deus presente, tomar consciência de que Ele está comigo agora
  • Pedir ajuda para rezar
  • Pegar na sua Palavra



A mulher adúltera - Jo 8, 1-11




Jesus foi para o Monte das Oliveiras.
De madrugada, voltou outra vez para o templo e todo o povo vinha ter com Ele. Jesus sentou-se e pôs-se a ensinar. Então, os doutores da Lei e os fariseus trouxeram-lhe certa mulher apanhada em adultério, colocaram-na no meio e disseram-lhe: «Mestre, esta mulher foi apanhada a pecar em flagrante adultério. Moisés, na Lei, mandou-nos matar à pedrada tais mulheres. E Tu que dizes?» Faziam-lhe esta pergunta para o fazerem cair numa armadilha e terem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se para o chão, pôs-se a escrever com o dedo na terra. Como insistissem em interrogá-lo, ergueu-se e disse-lhes: «Quem de vós estiver sem pecado atire-lhe a primeira pedra!» E, inclinando-se novamente para o chão, continuou a escrever na terra. Ao ouvirem isto, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos, e ficou só Jesus e a mulher que estava no meio deles. Então, Jesus ergueu-se e perguntou-lhe: «Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?» Ela respondeu: «Ninguém, Senhor.» Disse-lhe Jesus: «Também Eu não te condeno. Vai e de agora em diante não tornes a pecar.»
Jo 8, 1-11

ME AMOU E SE ENTREGOU POR MIM

(música)
 
Peço uma oportunidade
para ver o que ficou da minha vida
Creio que posso chegar a amar,
mostra-me os Teus caminhos Jesus

Pode na vida existir um amor
que consiga vencer meus impossíveis,
sem limites na hora de amar?
É na cruz que mo dizes Jesus

Onde encontro liberdade
Tu pagaste por mim
o resgate da minha vida,
e olhando p’ra cruz entendo os Teus porquês
a Tua razão ao dar a vida

ME AMOU E SE ENTREGOU POR MIM
PARA ME DAR A VIDA COM A SUA VIDA
PARA DIZER AO MUNDO QUE O AMOR É O CAMINHO
QUE A VIDA QUE SE ENTREGA GERA VIDA
À FORÇA DE AMOR (bis)

Penso que agora posso viver
seguro de um Amor que não se acaba
e quero repetir esta loucura de Amor
seguindo-Te bem de perto Jesus

TE AMOU E SE ENTREGOU POR TI
PARA TE DAR A VIDA COM A SUA VIDA
PARA DIZER AO MUNDO QUE O AMOR É O CAMINHO
QUE A VIDA QUE SE ENTREGA GERA VIDA
SE ENTREGOU POR TI
À FORÇA DE AMOR (bis)
 

O filho pródigo - Lc 15,11-32



 Disse ainda: «Um homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte dos bens que me corresponde.’ E o pai repartiu os bens entre os dois. Poucos dias depois, o filho mais novo, juntando tudo, partiu para uma terra longínqua e por lá esbanjou tudo quanto possuía, numa vida desregrada Depois de gastar tudo, houve grande fome nesse país e ele começou a passar privações. Então, foi colocar-se ao serviço de um dos habitantes daquela terra, o qual o mandou para os seus campos guardar porcos. Bem desejava ele encher o estômago com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. E, caindo em si, disse: ‘Quantos jornaleiros de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e vou dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti;  já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus jornaleiros.’  E, levantando-se, foi ter com o pai. Quando ainda estava longe, o pai viu-o e, enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço e cobriu-o de beijos. O filho disse-lhe: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho.’ Mas o pai disse aos seus servos: ‘Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha; dai-lhe um anel para o dedo e sandálias para os pés.  Trazei o vitelo gordo e matai-o; vamos fazer um banquete e alegrar-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi encontrado.’ E a festa principiou. Ora, o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se de casa ouviu a música e as danças. Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. Disse-lhe ele: ‘O teu irmão voltou e o teu pai matou o vitelo gordo, porque chegou são e salvo.’ Encolerizado, não queria entrar; mas o seu pai, saindo, suplicava-lhe que entrasse. Respondendo ao pai, disse-lhe: ‘Há já tantos anos que te sirvo sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos; e agora, ao chegar esse teu filho, que gastou os teus bens com meretrizes, mataste-lhe o vitelo gordo.’ O pai respondeu-lhe: ‘Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e reviveu; estava perdido e foi encontrado.(Lc- 15, 11-32)

domingo, 9 de março de 2014

Marcas de vida

música

Cântico “Marcas de Vida”:
 
Estive perto de ti quando nasceste, quando te viraste e mexeste
Estive perto de ti quando andaste, quando caíste e te levantaste
Estive perto de ti quando olhaste o céu e o sol brilhou
Estive perto de ti quando à noite descansaste o teu olhar.
 
Estou perto de ti agora, estarei perto de ti depois
Estou perto de ti em cada espaço, cada abraço, cada passo
Em cada marca de vida. Em cada marca de vida.
 
Estou perto de ti quando choras, quando esperas e os minutos duram horas
Estou perto de ti quando te ris, quando não te conténs e dizes que és feliz
Estou perto de ti em cada esquina, cada homem, cada olhar, cada vida
Estou perto de ti na cidade, no campo, no sorriso sem idade.
 
Estou perto de ti agora, estarei perto de ti depois
Estou perto de ti em cada espaço, cada abraço, cada passo
Em cada marca de vida. Em cada marca de vida. 
 
de António Brisson

sexta-feira, 7 de março de 2014

Coloco hoje diante de ti a vida e o bem, a morte e o mal

Caros pais, hoje resolvi partilhar convosco a 1ª leitura do dia 6 de março:


Moisés falou de novo ao povo, dizendo: «Repara que coloco hoje diante de ti a vida e o bem, a morte e o mal.
Assim, ordeno-te hoje que ames o Senhor, teu Deus, que andes nos seus caminhos, que guardes os seus mandamentos, preceitos e sentenças. Assim viverás, multiplicar-te-ás e o Senhor, teu Deus, te abençoará na terra em que vais entrar para dela tomar posse.
Mas se o teu coração se desviar e não escutares, se te deixares arrastar e adorares deuses estranhos e os servires,
declaro-vos hoje que, sem dúvida, morrereis; os vossos dias não se prolongarão na terra na qual ides entrar, passando o Jordão, para dela tomar posse.»
«Tomo hoje por testemunhas contra vós o céu e a terra; ponho diante de vós a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe a vida para viveres, tu e a tua descendência,
amando o Senhor, teu Deus, escutando a sua voz e apegando-te a Ele, porque Ele é a tua vida e prolongará os teus dias para habitares na terra, que o Senhor jurou que havia de dar a teus pais, Abraão, Isaac e Jacob.»
(Livro de Deuteronómio 30,15-20. )

Qual é a nossa resposta a este pedido concreto do Senhor?

quinta-feira, 6 de março de 2014

O que é a Quaresma?

A Quaresma inicia-se na Quarta Feira de Cinzas e prolonga-se por 40 dias até Quarta Feira Santa. Na Quinta Feira Santa, com a Ceia do Senhor, entramos no Tríduo Pascal em que celebramos a morte e a ressureição de Jesus.
É um tempo propício para os cristãos renovarem a sua adesão a Cristo, seguindo um caminho de profunda e progressiva reflexão. Como individualmente e em comunidade, preparamo-nos para a celebração da Páscoa do Senhor.
 
Nas celebrações deixamos para trás o Tempo Comum e introduzem-se algumas alterações:
  • A cor utilizada é a roxa;
  • No altar não se colocam flores;
  • Não se canta o Glória nem o Aleluia que se retoma apenas após a Ressureição de Jesus.
Não se trata de "cultivar" a tristeza mas sim de criar um ambiente mais sereno que nos ajude a refletir.


Como viver a Quaresma?
 
Todos os cristãos deveriam participar ativamente na sua comunidade para viver este tempo com especial intensidade. Infelizmente para muitos é mais um periodo da Igreja que não diz nada, para outros a correria do dia a dia "não deixa tempo" para  participar.
Viver a Quaresma começa por conhecer a sua razão de ser e aproveitar este tempo de salvação para viver com alegria a festa da páscoa.
 

Símbolos da Quaresma

Tradicionalmente, ao tempo da Quaresma  associamos as cinzas, o deserto, os quarenta días e o jejum. Através destes símbolos preparamos o caminho que nos leva até à Páscoa da Ressureição.

 
As cinzas
"Deus formou o homem com o pó da terra" (Gen 2,7)
" tu és pó e ao pó voltarás. " (Gen3,19) 
 
Este símbolo já estava presente logo no início da Biblia.
Representa a consciência do nada que é a criatura face ao Criador:
 
"Abraão prosseguiu: "Pois que me atrevi a falar ao meu Senhor, eu que sou apenas cinza e pó." (Gn 18,27). 
 
 
Nos primeiros tempos a imposição das cinzas simbolizava o caminho dos penitentes (os pecadores que tinham rompido a comunhão eclesial) que queriam receber a reconciliação no final da Quaresma. Faziam penitência, vestiam o hábito penitencial e impunham as cinzas em si próprios, apresentando-se assim perante a comunidade, expressavam a sua conversão voltando assim à comunidade cristã.
Este manifestação em grupo foi-se perdendo no entanto continua a ser um tempo de rconciliação com Deus e renovação do nosso batismo na Vigilia Pascal.
E o ato imposição das cinzas manteve-se, todas as Quartas Feiras de Cinzas os cristão recebem as cinzas na face ou na cabeça com o objetivo de se reconhecerem como  pecadores e  dispostos a iniciar um caminho de conversão quaresmal.
Após as leituras e homilía, pela Palavra de Deus, somos convidados à conversão.
 
O deserto
 
O deserto é um espaço árido, sem água e solitário. Mas é esse lugar concreto que a Biblía apresenta também como local de união com Deus.
Foi no deserto (na montanha de Sinai) que Moisés passou 40 dias sem comer nem beber para receber a lei de Deus(Ex 24, 12-18; 34).
Elías vive a dureza do deserto durante 40 dias e 40 noites reconfortado com a comida que lhe trouxe um anjo do Senhor (1 Re 19,3-8).
São homens marcados pela dureza do deserto mas também pela visão de Deus no final do seu caminhar.
 
O deserto é o espaço concreto da união com Deus por isso também Oseias o propõe como o lugar propício para interiorizar a Sua mensagem (Os 2, 16-17):
 
16 É assim que a vou seduzir: ao deserto a conduzirei, para lhe falar ao coração.

17 Dar-lhe-ei então as suas vinhas e o Vale de Acor será como porta de esperança. Aí, ela responderá como no tempo da sua juventude, como nos dias em que subiu da terra do Egipto.
  


Também Cristo viveu 40 dias no deserto, experimentou a tentação, viveu o encontro e diálogo íntimo com o Pai e preparou-se para o seu ministério público.
Se o "deserto" é um periodo de sofrimento também pode ser (e é) purificador se nos abrirmos ao Amor de Deus, ao diálogo com o Pai através da oração.
 
Por vezes fugimos destes espaços de silêncio e solidão porque temos medo de nos encontrar com o nosso eu e com Deus e descobrir o quanto estamos longe do Seu projeto. Por isso, a experiência de deserto requer coragem, humildade e vontade de recomeçar.
 

Os 40 dias
 
O número 40 é referido várias vezes na Bíblia:
  • os 40 dias que Moisés e Elías passaram no deserto;
  • os 40 anos que o povo eleito passou no deserto até chegar à terra prometida;
  • os 40 dias que Jesus passou no deserto antes de iniciar a sua missão;
  • os 40 dias da Ascensão.

Assim, os 40 dias da Quaresma fazem memória destes momentos. Mas na relação com o Pai o tempo e o espaço são fundamentais e se o "deserto" (silêncio, ausência de distrações, etc.) é o local adequado para o encontro a dois, os 40 dias da Quaresma é o tempo propício e oportuno para a oração e conversão.

O jejum
Todo aqueles que se retiram para o deserto experimentam o jejum.

Os profetas Joel e Isaías falam-nos no verdadeiro sentido desta antiga prática penitencial:

 
"...voltem a Mim de todo o coração, con jejuns,lágrimas e gemidos. Rasgai os vossos corações e não as vossas vestes e convertam-se ao Senhor, vosso Deus."(Joel 2, 12-18)
 
 
"O jejum que me agrada é este: libertar os que foram presos injustamente, livrá-los do jugo que levam às costas, pôr em liberdade os oprimidos, quebrar toda a espécie de opressão, repartir o teu pão com os esfomeados, dar abrigo aos infelizes sem casa, atender e vestir os nus e não desprezar o teu irmão. Então, a tua luz surgirá como a aurora, e as tuas feridas não tardarão a cicatrizar-se. A tua justiça irá à tua frente, e a glória do Senhor atrás de ti. Então invocarás o Senhor e Ele te atenderá, pedirás auxílio e te dirá: Aqui estou!"
(Isaías 58, 6-9)

O jejum de comida deu também lugar ao jejum como símbolo e expressão de uma renuncia a tudo o que nos impede de realizar o projeto de Deus.
O jejum convidando-nos à solidariedade patr com os que efetivamente passam fome, com os que são alvo de injustiças, de qualquer tipo de opressão e exploração.
 
Precisamos de descobrir os outros jejuns...tais como não falar mal dos outros, evitar gastos desnecessários, entregar o nosso tempo para ajudar e servir os outros....os outros jejuns que nos ajudam a amar a Deus e ao próximo.




quarta-feira, 5 de março de 2014

Mensagem de D. Manuel Clemente para a Quaresma 2014

Mensagem Quaresmal ao Patriarcado de Lisboa

Caríssimos irmãos e irmãs,

1.Entramos na Quaresma de 2014, partilhando as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias (cf. Gaudium et Spes, 1) de quantos vivem no Patriarcado de Lisboa.

Não podia ser doutro modo, não só porque a solidariedade o exige, mas também porque a Quaresma revive sempre o “êxodo” que, do cativeiro à terra da promessa, libertou um povo que Deus jamais esqueceu.

As práticas deste tempo litúrgico, tradicionalmente repartidas entre “oração, jejum e esmola”, recordam-nos em linguagem de hoje a conversão prioritária a Deus, que não trocaremos pelo excesso do consumo e serviremos no cuidado do próximo. Assim unidas, manifestam-se em Cristo, na sua permanente ligação ao Pai, cuja vontade era o seu alimento, e no serviço dos outros, por quem deu inteiramente a vida.

Deus Pai entregou-nos Cristo, que «se fez pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza» (cf. 2 Cor 8, 9), como lembra o Papa Francisco, intitulando assim a mensagem quaresmal que nos dirigiu. Mensagem que nos evidencia o “estilo de Deus”, que, em Cristo, se abeirou de todas as pobrezas da humanidade, no modo mais simples das doações verdadeiras.

A mensagem papal quer-nos exatamente assim, como Cristo foi em relação a todos, de pobres para pobres, em partilha autêntica. E quer-nos a nós, os que participamos do Espírito de Cristo, «a ver as misérias dos irmãos, a tocá-las, a ocupar-nos delas e a trabalhar concretamente para as aliviar». Material, moral ou espiritual, a miséria dos outros é o campo aberto da Quaresma que temos, para que, através de nós, Cristo continue a responder a tantas necessidades que o mundo apresenta.

2. Neste ponto e nas atuais circunstâncias, temos de ser insistentes e claros, verdadeiramente “quaresmais”. O Papa Francisco, na exortação apostólica Evangelii Gaudium, esclarece-o assim, numa passagem que devemos reter em especial, tanto mais que resume afirmações suas e dos seus dois antecessores: «Para a Igreja, a opção pelos pobres é mais uma categoria teológica que cultural, sociológica, política ou filosófica. Deus manifesta a sua misericórdia antes de mais a eles. Esta preferência divina tem consequências na vida de fé de todos os cristãos, chamados a possuírem “os mesmos sentimentos que estão em Cristo Jesus” (Fl 2, 5). Inspirada por tal preferência, a Igreja fez uma opção pelos pobres, entendida como uma forma especial de primado na prática da caridade cristã, testemunhada por toda a Tradição da Igreja. […] Por isso desejo uma Igreja pobre para os pobres» (EG 198).
Como sabemos, o Papa Francisco apresentou-nos a sua exortação apostólica como um “programa” geral para a Igreja nos próximos tempos, esperando «que todas as comunidades se esforcem por atuar os meios necessários para avançar no caminho duma conversão pastoral e missionária, que não pode deixar as coisas como estão» (EG 25). E o que seja esta conversão pastoral e missionária esclarece-o mais à frente: «A reforma das estruturas, que a conversão pastoral exige, só se pode entender neste sentido: fazer com que todas elas se tornem mais missionárias, que a pastoral ordinária em todas as suas instâncias seja mais comunicativa e aberta, que coloque os agentes pastorais em atitude constante de “saída” e, assim, favoreça a resposta positiva de todos aqueles a quem Jesus oferece a sua amizade» (EG, 27).

É por nós que a amizade de Cristo chegará aos outros, nos quais Ele nos espera, aliás. Amizade concreta, que, à maneira do Bom Samaritano, cuida realmente de cada um, sobretudo dos mais abandonados e excluídos, em qualquer periferia que seja. E não faltam, decerto, bem perto de nós e das nossas comunidades. Comecemos ou continuemos então, fazendo desta Quaresma um momento forte do caminho sinodal que até 2016 mobiliza o Patriarcado, para cumprir as indicações do Papa Francisco, «no sonho missionário de chegar a todos» (EG 31).

3. Finalmente, e para concretizar também num gesto coletivo a nossa exercitação quaresmal, a renúncia que fizermos este ano destina-se a apoiar a Ajuda de Berço – Associação de Solidariedade Social, no seu generoso propósito de construir uma Unidade de Cuidados Continuados para crianças que têm problemas crónicos graves de saúde. Graças à Ajuda de Berço, muitas mães têm sido ajudadas no sentido de levar por diante a sua gravidez e também no período pós-natal. Para os casos em que as crianças precisam de cuidados especiais, urge agora a Unidade a que a nossa renúncia corresponderá. E é neste caso que em especial concretizaremos a “opção pelos pobres” a que o Evangelho e o Papa Francisco tão fortemente nos exortam.

- Convosco e rumo à Páscoa!

Quarta-feira de Cinzas, 5 de março de 2014     
† Manuel Clemente, Patriarca de Lisboa